Biotecnologia da soja brasileira se destaca mundialmente, mas desafios persistem

No Brasil, cerca de 65% das sementes de soja utilizadas nas lavouras são certificadas. Do total comercializado em 2020, 18% são do estado do Paraná. Os dados são da Associação Brasileira de Semente de Soja (Abras) e foram destacados durante o terceiro programa Aliança da Soja.

De acordo com o presidente da entidade, Gladir Tomazelli, os desafios para o setor são muitos, mas é fundamental a profissionalização dos multiplicadores para atender a demanda do mercado e manter o padrão de qualidade com cultivares que garantam alta performance.

“Quando a semente chega ao produtor, ela tem que chegar preparada para que ele possa colher o melhor resultado possível, o melhor retorno financeiro do seu investimento na lavoura com a semente”, ressaltou.

Ainda segundo Tomazelli, a biotecnologia da soja brasileira está entre as melhores do mundo e o setor sementeiro tem contribuído para o desenvolvimento agrícola do país. “Hoje, a semente é o veículo responsável pela alta produtividade e não somente pela questão genéticamas também pela biotecnologia, como a resistência aos herbicidas, pragas e doenças. É uma evolução constante neste sentido e um ganho genético muito importante que faz com que nossa agricultura cresça.”

Matopiba e a soja

A região do Matopiba, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é uma importante área produtora. Para o diretor-presidente da Sementes Oilema, empresa na Bahia, Celito Missio, o produtor precisa buscar excelência no manejo, desde o plantio até a colheita, para aproveitar o potencial produtivo embarcado nas cultivares.

“Eu considero que existe um salto na produtividade somente com as boas práticas sem gastar dinheiro. É questão de monitoramento. A pessoa precisa monitorar o plantio, linha por linha. Precisa ter gente que faça isso, porque semente plantada muito rasa ou muito funda, pode não nascer ou pode dar plantas não produtivas. Então, fazendo isso bem feito dá, sim, para aproveitar o potencial que a semente tem”.

Produção de cultivares no Sul do Brasil

A região Sul do Brasil tem um clima mais favorável para a produção de variedades de soja. Para o superintendente de Produção Agrícola da Cotrijal, Gelson Lima, o produtor precisa entender melhor o que significa ter semente de qualidade para aumentar a taxa de utilização.

“Nós não temos dúvida que a agricultura, cada vez mais, precisa ser encarada como um negócio e gerar resultado, vendas e lucratividade. O principal componente para que a gente minimize os riscos da produção é, sem dúvida, o uso de uma semente de qualidade. A semente é tão importante que ela deveria ser produzida, comercializada e utilizada com manual de instrução”, considera.

Modernização da lei brasileira

Testes realizados no desenvolvimento de cultivares comprovam o aumento na produtividade com a utilização de variedades certificadas, quando comparadas às não certificadas, conhecidas como sementes piratas. O setor acredita que para a continuidade do crescimento da produção de biotecnologia é preciso simplificar e atualizar a lei brasileira que regula a indústria de sementes.

“Estamos trabalhando junto ao Ministério da Agricultura na questão de simplificação dessas normas que regem as nossas atividades. O objetivo é partir para um projeto a médio prazo com a autorregularização do setor para que simplifiquem os processos. Trabalhamos para que o Ministério [da Agricultura] faça seu trabalho na auditoria da qualidade dos nossos produtos. Nós temos uma confiança muito grande que temos um produto de qualidade para entregar para o agricultor, com sementes adaptadas para as mais diversas regiões do Brasil”, comenta José Américo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).

Outra preocupação é com a legislação de proteção de cultivares. “Nós temos problemas sérios de pirataria de sementes e ainda temos que fazer alguns ajustes necessários para a produção de semente para uso próprio. Então, são desafios grandes e que são muito importantes para que o país com vocação agrícola como o Brasil possa manter a competitividade”, finalizou o representante da Abrasem.

POR FLÁVIA MACEDO, DE SÃO PAULO | CANAL RURAL

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