Exportações do agro crescem 20% neste ano

Dados divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostram que as exportações brasileiras do agronegócio tiveram avanço no período de janeiro a outubro de 2021. A alta foi de 19,5% na comparação com o mesmo período de 2020, alcançando US$102,36 bilhões (43,4% do total nacional). Já as importações cresceram 21,8% no período, registrando US$12,65 bilhões (7,1% do total nacional). O superavit do agronegócio foi de US$89,71 bilhões no período, sendo 19,2% superior na comparação com o período de janeiro a outubro do ano passado.

Na análise do IEA os números mostram que o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao bom desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$133,44 bilhões e importações de US$164,65 bilhões, produziram um deficit de US$35,21 bilhões nos primeiros dez meses de 2021. No entanto a participação das exportações do agronegócio no total nacional recuou 6,0 pontos percentuais, e a das importações caiu 1,0 p.p. no período analisado.

Principais produtos exportados

Em relação aos grupos de produtos os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro nos dez primeiros meses de 2021 foram: complexo soja (US$43,71 bilhões, sendo 82,2% de participação da soja em grãos), carnes (US$16,89 bilhões, com as carne bovina, de frango e suína representando desse total, respectivamente, 47,3%, 36,7% e 13,4%), produtos florestais (US$11,30 bilhões, com participações de 48,2% de celulose e 38,4% de madeira), complexo sucroalcooleiro (US$8,38 bilhões, dos quais 89,5% de açúcar) e grupo de café (US$4,96 bilhões, sendo o café verde com participação de 90,9%). Esses cinco grupos agregados representaram 83,2% das vendas externas setoriais brasileiras.

Na comparação com os meses de janeiro a outubro de2020, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos do agronegócio brasileiro, com destaque para os grupos complexo soja (30,0%), carnes (19,8%), produtos florestais (19,7%), café (15,0%) e complexo sucroalcooleiro (5,0%). 

Desses grupos relevantes, o complexo soja, que apresenta a maior participação (42,7%), registrou aumentos em valores (30,0%) e queda no volume exportado (0,5%) em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal produto desse grupo, a soja em grão, teve elevação de 28,7% em valores e queda de 0,6% em volume. A China representa 58,3% das compras desse grupo, seguida por União Europeia (14,7%) e Tailândia (5,0%); os demais países importadores somam 22,0%.

O grupo de carnes, que tem a segunda posição na pauta brasileira, apresentou avanço de 19,8% em valores e 7,0% em volume. A carne bovina teve crescimento de 15,8% em valores e queda de 3,2% em volume exportado. Com resultado expressivo mostram-se a carne suína (21,2% e 13,2%) e a carne de frango (24,5% e 9,8%), com aumentos em valores e volume, respectivamente. Nesse grupo, a China se destacou como principal destino e representa 36,6% das compras de carnes; na sequência aparecem Hong Kong (8,0%), União Europeia (4,6%), Japão, Chile e Emirados Árabes Unidos (4,4%) e Arábia Saudita e Estados Unidos (4,3%), enquanto os demais países somam 29,1% de participação.

O grupo produtos florestais aparece na terceira posição na pauta brasileira, apresentando variações positivas em valores (19,7%) e em volume exportado (7,0%). Destaca- se expressivo aumento do valor e volume da madeira (47,9% e 27,6%, respectivamente), enquanto a celulose apresentou ganhos em valores (8,1%) e queda na quantidade (2,0%).

Já o papel apresentou variações positivas para valores (2,9%) e negativas para volumes (4,9%) nas exportações dos primeiros dez meses de 2021 quando confrontados com igual período de 2020. Os principais países importadores desse grupo são Estados Unidos (26,9% de participação), China (23,2%) e a União Europeia (18,0%). Os demais países participam com 31,9%.

Para o grupo sucroalcooleiro, os resultados do período de janeiro a outubro de 2021 apresentaram crescimento em valores (5,0%) e queda nas quantidades embarcadas (9,6%). O açúcar teve aumentos para valores (6,7%) e queda no volume (8,8%) no período analisado.  Para o álcool etílico, os resultados apresentaram-se negativos de 8,0% e 22,0% para valores e quantidades embarcadas em comparação com o mesmo período de 2020. Assim como o Estado de São Paulo, os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação dos países. Os resultados apontam a sequência composta por China (14,9%), Argélia (7,0%), Nigéria (6,4%), Bangladesh (5,7%), Canadá e Malásia (4,4%), Arábia Saudita (4,3%) e Estados Unidos (4,1%); outros países importadores somam 48,8% de participação.

O grupo do café apresenta ganho em valores (15,0%) e em quantidade (2,9%), sendo o café verde o principal produto, com variações positivas de 17,0% em valores e de 3,1% em quantidades exportadas pelo país. Quanto às participações dos países destinos das exportações em valores, a União Europeia representa 44,2% desse grupo, Estados Unidos com 19,0%, Japão com 7,3% e Rússia com 2,9%. Os demais países somam 26,5% de participação.

Previsão para este ano

Depois de decorridos os dez primeiros meses de 2021 e considerando o bom desempenho das variações positivas do agro brasileiro de 19,5% nas exportações e de 19,2% no saldo comercial se mantenha nos próximos meses, o cálculo da projeção para o final de 2021 é o valor das exportações possa ficar próximo a US$120,37 bilhões e o saldo do agro em US$104,47 bilhões, novo recorde brasileiro ultrapassando as maiores marcas para as exportações do ano de 2018 (US$101,17 bilhões) e do saldo comercial do agro de 2020 (US$87,65 bilhões).

Por:  -Eliza Maliszewski

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