Quais são os desafios do agro fora da porteira?

A comunicação é uma das ferramentas mais efetivas para aproximar o agronegócio do mercado fora da porteira e os jovens são os grandes responsáveis por esse movimento. Essa foi uma das conclusões da mesa-redonda “A Nova Liderança do Agro”, que fechou a programação do último dia do Youth Agribusiness Movement International – YAMI, maior congresso voltado aos jovens do agro da América Latina.

“Sempre ouvimos dizer que o agro se comunica bem com o agro. Temos no mercado muitos canais e veículos que falam com o setor, mas o desafio é trazer uma nova perspectiva para levar os dados e informações do campo para a população de uma forma geral. Esse é um ponto que os jovens precisam pensar”, afirma a fundadora do Priori Agro, Eveline Alves.

Nesse sentido, Eveline destaca a importância de disseminar as informações, mas com o cuidado de buscar fontes confiáveis. “É sempre importante termos certeza da qualidade do que compartilhamos, principalmente com tantas fake news. Uma dica é sempre ter como fonte instituições de pesquisas, como a Embrapa, por exemplo, que publica artigos e materiais mais técnicos, com um linguagem mais fácil de ser entendida”.

A afirmação foi reforçada pelo INSPER Senior Professor, Global Agribusiness, Marcos Jank, que também entende esse desafio como sendo dos jovens do setor. “As novas lideranças precisam buscar desenvolver uma capacidade de comunicação muito eficiente, não só com os temas mais técnicos, mas também em outras línguas. O setor tem uma dificuldade muito grande de falar com o mundo afora e o agronegócio, entre todos os segmentos da economia brasileira, é o mais afetado pelas questões globais”.

Segundo Jank, o setor desperta um interesse muito grande entre os jovens do mercado, pois possui um campo vasto de atuação, mas ele aponta que ainda sente falta de uma renovação no quadro de lideranças do agro. “Precisamos fomentar mais esse processo de renovação das lideranças e da comunicação. Ainda temos uma visão muito destorcida do que é o agronegócio e essa mudança, por meio do compartilhamento de informações, passa pelo processo de rejuvenescimento de quem fala pelo agro e lidera o setor”.

 

Mudança na visão do agro no mundo

Para a gerente de Marketing Brasil da New Holland, Carolina Brandão, ainda existe um visão distorcida do agronegócio, repleto de pré-conceitos formatados, que são fruto de um desconhecimento sobre a atuação do setor. “Nós, como grandes players, temos que ter responsabilidade de trabalhar em ações de comunicação que não sejam reativas, mas, sim, construtiva para aproximar e desmistificar o agro das pessoas”.

Ela reforça que essa comunicação precisa promover o diálogo entre as diferentes faixas etárias e classes sociais. “Entendo que as empresas, que possuem um espaço de comunicação, precisam trabalhar isso para que cada vez mais as pessoas entendam a realidade do setor, a importância para toda a sociedade e o papel que o agro tem na contribuição do desenvolvimento social do País e no âmbito ambiental”.

 

Perfil dos novos líderes do agro

Na visão da Head Latam Recursos Humanos Agro na BASF, Juliana Justi, as novas lideranças do agro precisam ter a comunicação como um dos pontos de atenção na preparação e capacitação para o mercado de trabalho, porém com flexibilização como ponto chave.

“A pandemia nos mostrou que tudo que sabíamos e aplicávamos precisou se remodelar muito rápido. Então, sem dúvida essa capacidade de ser flexível é um fator de importância, assim como a de se comunicar de forma direta e objetiva com todos os públicos. Temos, principalmente, no agro, várias gerações trabalhando juntas e falar com todas elas é muito importante para um líder”, pontua.

Juliana destaca outras características importantes para um líder, como a empatia, estar antenado nas mudanças que estão ocorrendo, cada vez mais rápido, ao seu redor e um propósito. “Temos que trabalhar com um propósito, pois é isso que retém as pessoas nas empresas e no trabalho com o agronegócio. As companhias estão promovendo um movimento para capacitar suas equipes, dando-lhes muito mais do que uma carreira tradicional, mas também oportunidades de projetos para que tenham, cada vez mais, um propósito para seguir trabalhando”, enfatiza.

“Podemos concluir que o grande desafio do agro gira em torno do que foi debatido aqui: a liderança, a capacitação, a profissionalização e a comunicação. Precisamos definir, rejuvenescer e mostrar quem são os líderes do setor. É preciso uma união da cadeia e unidade de discurso para fortalecer a mensagem e defender o agronegócio”, enfatiza a sócia diretora da Biomarketing, Camila Macedo Soares, que moderou o painel.

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